segunda-feira, 27 de junho de 2011


Surpreendentemente o sol nasceu, invadiu meus abismos, tirando a poeira e o limo.Uma vontade de alegria palpitou rompendo espaços. Abriu sorriso, quebrou o gelo, me pôs de pé encarando a paisagem de inverno. Surpreendentemente o sol nasceu, me fez bonita, feliz... e a vida reascendeu nas minhas veias!

domingo, 26 de junho de 2011

Segredos passam pelo vão da minha janela, a vida mudou de tom num lugar chamado Segualquia!

sábado, 25 de junho de 2011

Caótica!!!


Antigamente eu achava que a vida teria mais cor quando eu crescesse.
Que a primavera seria carregada de felicidade em longa escala
que a lua brilharia com o estalar dos meus dedos
E que violeiros fariam fila pra me embalar com suas toadas.
Hoje em dia sinto que o frio não disfarça,
que a felicidade virou fumaça,
a lua das nuvens não passa
E o transito da janela compõe uma melodia sem graça!

E meus olhos insistiram em alvorecer as cinco da manhã. Passei a observar atentamente cada movimento da noite até a manhã me desejar bom dia!!!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011


Toda mulher tem em si, uma loba, uma lua, uma centelha criadora de histórias que realiza a cura.

Toda mulher é capaz de amar sentir, criar, realizar em si a tecitura das aranhas, das tecelãs, das parcas parideiras do destino.

Em toda mulher habita uma bruxa, uma mãe, um segredo perdido na névoa, a face oculta, o breu, a tempestade.

Em cada mulher habita o inexplicável , o absoluto, o inconjugável.

Em cada mulher habita um diamante raro, uma escolha um desejo, um ser...

Apenas...

Depois que me descobri santa!!!!


No retrato em que me faço, percebo olhares, escritas, cantigas, magias de antigas mulheres desenhadas em mim!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Retrato de família




Meu pai era homem serio, sisudo, não digo brabo por que mais que isso, era reservado.Olhos verdes e tristonhos que muito deram trabalho antes de conhecer minha mãe.Mas era cheio de vida, um colecionador de histórias.

Por vezes varava a madrugada em meio è lua cheia e churrasco a fogo de chão contando das proezas que tinha realizado na época da construção da estrada nova.

- Era gente xucra sianinha, mas sem nenhum temor!

Contava histórias, de bicho, histórias de gente e por vezes até histórias de assombração.

- E num é que o tal vulto vinha vindo Sianinha, numa carreira desordenada de embranquecer até caboclo descrente. Puxei da garrucha e quando disparei o vulto sumiu no vento!

E logo passava pra outra.

- Pois tava eu Sianinha caminhando pela quermesse quando de repente me deparei com a criatura mais bonita que já vi, de tão linda parecia pintura!

Segurava nas mãos uma flor e quando me aproximei indaguei: - Flor bonita! É natural ou artificial?

Ela cismou pra mim um olhar brabo e respondeu: - Nem um nem outro, é de papel.

E bateu carreira em direção à igreja. Desde aquele dia minha vida mudou Sianinha, desde aquele dia minha vida mudou...

Dentre todas as outras histórias essa era a preferida de meu pai. Era sobre o dia em que conheceu minha mãe.

Ah, Minha mãe!

Sinhá pequena de anca larga, braba igual o quê.Não havia o que se comparasse. Era carola da irmandade do rosário, mas dona de uma alegria sem tamanho.

Em maio me punha vestes de anjo e saía toda prosa pro mercado.

- Viu Carminha!? Minha filha esse ano é quem põe a coroa de nossa senhora. Véu é respeitoso, palma tem lá seu valor, mas bonito de ver é mesmo a coroa. Sino toca, padre benze, quem põe a coroa em nossa senhora reza duas vezes!

E eu sem entender muito daquilo, achava era divertido o vento bater nas minhas asas enquanto corria pelo pátio da igreja.

- Sianinhaaaaaaa!! Volta aqui menina!

Como já disse minha mãe era um exagero de braba. Comia pelo meio as palavras e se tinha uma coisa que ela não gostava era de me ver desordenada.

Passava horas a fio desembaraçando meu cabelo, dividia em dois molhos e prendia com chiquinha, depois me acarinhava e dizia:

- Ta bonita minha menina!

Eu não entendia o por quê de tanta firula. Afinal ia perder as fitas na correria mesmo!

Logo mais tarde vim a entender que era o jeito que ela tinha de gostar de mim.

Quando fiz sete anos nos mudamos pra cidade. Lá conheci muita gente, conheci primeiro amigo, primeiro namorado e conheci também Sô Figeno. O pipoqueiro da igreja.

Sô Figeno me chamava de mulata.Descia a rua com seu carrinho de pipoca e gritava:

- ôh mulata!!! Mulata.

Que diabo de palavra era essa que não conhecia e me soava tão estranho?! Também, quem com sete anos haveria de saber?!
Pra mim, devia ser algum tipo de remédio de pulga. Será que o sô Figeno me achava com cara de pulga?

Bem, devia ser. Baixinha, pretinha, atarracada como minha mãe.

Taí, eu era uma pulga de nome mulata, comendo pipoca e saltitando quintal afora...

Coisa que reafirmo, deixava minha mãe pelas tamancas.

- Criança é assim mesmo Virginia. Amenizava meu pai.

- Criança dos outros, a minha tem que andar na linha! Retrucava minha mãe.

Não tinha casal mais respeitado que eles. Nem filha mais cheia de orgulho como eu na minha primeira comunhão.

O pai, me deu de presente um anelzinho de prata, que durante muito tempo foi minha única jóia.

Pouco depois meu pai adoeceu. Minha mãe largou mão da obrigação com a casa e bateu sentinela dia e noite no beiral da cama.

Vez ou outra eu aprontava alguma pra trazer pra mim a atenção de minha mãe.

Nada adiantava não, minha mãe era puro sofrimento.

Dias depois, acompanhei minha mãe em silencio, vestida de preto até o derradeiro adeus de meu pai.

Foi aí que de menina passei a moça e de moça passei a mulher e desde então a vida mudou de tom.

Ainda me lembro com alegria, ainda me lembro quando chove. E meu Deus, se o que aprendi com eles é o que é ter amor, eu quero isso sim e em larga estima!